É só abrir as planilhas de custos do sistema para que todos possam vê-las: Mateus Prado

A desconfiança de parte da população, de uma associação entre entre o governo e empresas de ônibus, foi, junto com uma exagerada onda de antipetismo, o que interrompeu a longa série de vitórias eleitorais do Mauá e permitiu a vitória do Átila em 2016. Até mesmo a bancada legislativa do PT foi sendo diminuída por isto, no passado já chegou a ser de 9 vereadores e desceu até chegar a ter somente 1 vereador.
Como sabemos, não foi Marcelo que ganhou a eleição (https://jornaltemporeal.com.br/2021/01/07/nao-foi-marcelo-que-ganhou-a-eleicao/). Neste sentido, de não ter ganhado a eleição exatamente por causa do seu projeto para a cidade, talvez ele se sinta até mesmo menos obrigado a grandes transformações na cidade como tinha o Oswaldo Dias pós a sua primeira eleição em 1996.
De qualquer forma as ações do atual governo na área de transportes públicos vão servir pra sabermos muito bem se ele tem interesse em atuar em prol da população ou se ele irá pelo conhecido caminho de um equilíbrio entre alguma coisa que agrade a população e a manutenção de uma equação que remunera muito mais do que o justo a empresa de transportes público.
E tá tudo bem me acusarem de alarmista e irresponsável ao eu falar nesta possibilidade de que a empresa de transportes ganhe a mais do que é o normal é de que provavelmente ela distribua parte de seus ganhos para atores políticos. O que seria bom era eu ser desmentindo publicamente e de forma irrefutável.

Se eu estiver mesmo errado, eu e boa parte da população da cidade, é bem fácil demonstrar isto. É só abrir as planilhas de custos do sistema para que todos possam vê-las.
Não existe dificuldade nenhuma de ser abrir a planilha de custos. É bem óbvio que a empresa de transportes tem ela e seria bem pouco inteligente se considerar que as pessoas que são responsáveis pelo setor na prefeitura não a tenham também. Seria até prevaricação do prefeito, secretário e assessores do setor não ter a planilha de custos.
A planilha de custos já existe e nunca foi divulgada, a questão é saber se Marcelo e equipe vão trazê-la para o debate ou se a desconfiança de que trazer a Suzantur para a cidade foi uma ação para beneficiar alguns grupos políticos/econômicos em detrimento de outros.
Em 2013, na época das manifestações sobre os transportes, eu fiz o exercício de saber qual que era o custo passageiros do transporte. Deixei público os números fazendo um paralelo daqui com os custos em Curitiba da modalidade mais cara possível para aquela cidade. As planilhas la são públicas. O óbvio apareceu na época, o custo passageiro era menos que a metade do que custava a passagem na época. E já com a remuneração do empresário de 14% de seu capital por ano.
Aqui até mesmo a Leblon, quando teve na cidade, considerada por todos uma empresa de muito melhor qualidade, tinha suas vantagens. A Leblon pagava seus ônibus (pagava o leasing) com a própria entrada de caixa. Se ela pagava o seu capital (os seus ônibus) com o próprio dinheiro do sistema significa que ela era remunerada por um capital que não era dela.
Vamos a conta para ficar um pouco mais claro. Suponha que um ônibus custe 350 mil reais e que um empresa entre na cidade com 100 ônibus. Ela gastaria 35 milhões frota e pelo mais uns 15?milhões em outras coisas para prestar o serviço. Uns 50 milhões para operar com 100 ônibus. Em uma taxa de retorno de 14% ao ano, que já é alta, ela teria 7 milhões de lucro, o que é justo é aceitável.
Em uma operação de leasing que não tivesse juros, que não existe, e de 50 meses, em cada mês esta empresa pagaria 1 milhão para o financiamento. Pagaria 12 milhões por ano. Se a empresa ganhasse aqui em Mauá somente o justo ela não teria como pagar o leasing, porque ele custaria mais que 12 milhões a ano, para cada 100 ônibus, e a empresa só teria 7 milhões em lucro para amenizar a dívida.
E a Leblon, mesmo com um serviço de melhor qualidade e com melhores ônibus, conseguia pagar seu leasing.
O resultado disto aí é que além de ser remunerada por um serviço que não presta e de cobrar um valor muito maior do que o justo pela passagem as empresas de ônibus aqui também são remunerada por um capital que não é delas.

Autor: Mateus Prado Henfil, Educador, cursou Sociologia na USP e Medicina na UFRJ e é graduado em Administração Pública pela USP.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s