Desde a votação na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, o deputado estadual Rômulo Fernandes se posicionou contra a privatização da Sabesp e alertou sobre os riscos de entregar um serviço essencial para a iniciativa privada. Integrante da oposição ao governo Tarcísio de Freitas na Alesp, o parlamentar afirma que os problemas registrados após a privatização reforçam as críticas feitas desde o início do processo.
Na época da votação, deputados da oposição questionaram a pressa do governo estadual em aprovar a privatização e alertaram para possíveis impactos na qualidade do serviço, na manutenção da estrutura e no aumento das tarifas. Agora, diante da sequência de acidentes registrados em diferentes cidades paulistas, Rômulo afirma que a população começa a sentir na prática as consequências da decisão do governo Tarcísio.
A promessa do Palácio dos Bandeirantes era de melhora no atendimento, modernização da rede e redução de impactos para a população. Porém, o que vem sendo registrado no estado são acidentes graves, falhas estruturais e reclamações constantes sobre o valor das contas de água.
Somente entre 2025 e os primeiros meses de 2026, sete incidentes graves envolvendo estruturas e obras da Sabesp foram registrados em diferentes regiões do estado.
Em 2026, os casos mais recentes causaram preocupação em todo o estado. No Jaguaré, zona oeste da capital, uma obra da Sabesp atingiu uma rede de gás e provocou uma explosão, deixando mortos, feridos, imóveis interditados e mais de 160 pessoas desalojadas. Em Osasco, o rompimento de uma adutora causou alagamentos e arrastou carros pelas ruas. Já em Mairiporã, o rompimento de um reservatório terminou com morte e pessoas feridas.
Em 2025, outros episódios já demonstravam os problemas enfrentados pela população. Em Mauá, uma tubulação caiu sobre uma residência e causou a morte de um morador. Embu das Artes sofreu com falta de água em massa após rompimento de adutora. No Jardim Damasceno, na Brasilândia, moradores enfrentaram alagamentos. E na Freguesia do Ó, outro rompimento provocou interrupção no abastecimento.
Para Rômulo Fernandes, os episódios reforçam a necessidade de responsabilidade e fiscalização sobre um serviço que impacta diretamente a vida das pessoas.
“A oposição alertou desde o começo que privatizar a Sabesp não era solução para os problemas do estado. O governo Tarcísio vendeu a ideia de eficiência, mas o que estamos vendo é uma sequência de acidentes, falta de manutenção e contas cada vez mais caras para a população. Água não pode ser tratada apenas como fonte de lucro”, afirmou o deputado.
O parlamentar também criticou a condução do governo estadual no acompanhamento dos serviços após a privatização e afirmou que falta transparência sobre os investimentos e a segurança das estruturas.
“Quem mora na periferia sente primeiro os impactos da falta de água, dos alagamentos e da ausência de manutenção adequada. É a população trabalhadora que paga a conta enquanto o governo tenta defender um modelo que não está funcionando como foi prometido”, completou.
Rômulo relembrou ainda que, durante o debate na Alesp, deputados da oposição defenderam que a Sabesp permanecesse pública justamente por se tratar de um serviço essencial ligado à saúde, à dignidade e à qualidade de vida da população.
O debate sobre a privatização da Sabesp segue crescendo no estado diante do aumento das reclamações, dos acidentes e da cobrança por respostas concretas do governo estadual sobre os sucessivos problemas registrados após a entrega da companhia para a iniciativa privada.
