“Indústria da Multa” em Mauá precisa financiar tarifa zero

Para o educador, planilha de custos da empresa de ônibus deve ser apresentada e arrecadação deve bancar catraca livre. Ele defende o uso desse dinheiro para que as passagens sejam gratuitas para todos.
Qualquer pessoa que conheça bem o funcionamento do mundo político sabe que as empresas de Radar e as de ônibus são contumazes financiadoras de políticos em cidades médias e grandes em todo o país. Por este motivo, toda vez que se fala em ampliar radares e em aumentar tarifas de ônibus, imediatamente, muitos associam isso ao financiamento ilegal de políticos e de bases parlamentares.
A desconfiança é maior quando ações deste tipo não estão associadas a políticas públicas claras e objetivas.
Quem fala em ampliar radares, como tem-se falado em Mauá, precisa indicar quais serão as políticas públicas para diminuir a violência no trânsito. Radar não pode ser simplesmente punitivo, precisa ser educativo, e o dinheiro arrecadado com radares, sobretudo os arrecadados com a expansão deles, precisa ser destinado a políticas educativas.
Outra política que precisa ser implementada, principalmente por prefeitos que colocam em dúvida a honestidade de seu antecessor, é dar transparência à forma com que se paga, e quanto se paga, para empresas de radares. Alguns lugares pagam as empresas por multa, como se fosse uma comissão por cada uma delas. Pagar por multa, ou pagar alto demais por radar instalado, demonstra a submissão de prefeitos a uma indústria de desserviço. Mesmo que se encha uma cidade de radares, não pode um prefeito trabalhar para que o máximo de pessoas sejam multadas. Quanto mais gente estiver levando multas, mais gente estará colocando em risco a população. Por mais que pareça contraditório, tem sim como trabalhar para que poucas pessoas sejam punidas, mas temos razões óbvias para duvidar de que a instalação de novos radares estará relacionada a uma ação para que cada vez menos pessoas sejam multadas em Mauá. E nada seria tão educativo do que destinar todo ou parte do dinheiro arrecadado com radares para financiar a adoção da Tarifa Zero nos transportes em Mauá.

Vargem Grande Paulista, aqui na região metropolitana, já faz isso. Usa parte da arrecadação com radares para fomentar o financiamento do Transporte Público local. Em Vargem Grande Paulista, temos a tão sonhada Tarifa Zero.
Em Mauá, fala-se que o sistema de Transporte Público custa 11 milhões ao mês, o que, obviamente, trata-se de falácia. O Sistema arrecadava 11 milhões por mês nos meses de maior circulação de passageiros em 2019, mas custa bem menos do que isso. O preço alto da passagem, aqui, em Mauá, em se comparando à quilometragem rodada e ao tempo rodado por linha, nas mesmas condições em outras grandes cidades, deixa isso muito claro.
A falta de uma grita geral da Empresa de Ônibus que hoje está na cidade, é, no mínimo, curiosa, uma vez que, durante a pandemia, houve uma queda de cerca de 30 por cento na circulação de passageiros, fato que, teoricamente, comprometeu o funcionamento do Sistema em alguns dos meses de 2020. Isso só reforça a teoria de que é possível gerir o transporte de forma eficaz, sustentável e lucrativa ao mesmo tempo.
E a falta de vontade de prefeito e vereadores, de todas as colorações, em apresentar para a cidade a planilha de custos do Sistema de Transportes, com clareza de detalhes, deixa muito óbvio que há bem mais dinheiro circulando no sistema de transportes de Mauá do que o necessário para que este funcione satisfatoriamente. É uma gordura que gira entre 4 e 5 milhões/mês, cerca de 50 milhões por ano, dinheiro cujo destino o contribuinte não faz ideia de para onde vai, não é mesmo ?
Mas vamos supor que o sistema custe 10 milhões por mês. Os 20 milhões que arrecadamos com multas por ano em Mauá pagariam dois meses de Tarifa Zero para a cidade. Numa outra suposição, a partir de um investimento mais modesto, digamos que apenas 7 milhões de todo o valor arrecadado com multas seriam direcionados ao programa Tarifa Zero. Este valor estaria muito próximo do aumento da arrecadação com os novos Radares, caso não invistamos em uma política educativa para o trânsito. Tal quantia pagaria a Tarifa Zero em Mauá todos os domingos ou durante todo mês de Janeiro (mês em que o Sistema tem menos passageiros e uma consequente queda na arrecadação). Associando-se tal iniciativa a um programa de promoção de atividades esportivas e culturais por Mauá, a Tarifa Zero cumpriria a função de ampliar o Direito à Cidade de nossos munícipes.
Em suma, usar o dinheiro dos radares para dar início a uma política de Tarifa Zero, usar outra parte para políticas de Educação para o Trânsito, colocar em debate como se paga as empresas de radares, entregar para a sociedade a planilha de custos do Sistema de Transportes, demonstrar com indicadores que novos Radares, e também os antigos, reduzem a violência no Trânsito. São Políticas bem simples, fundamentais e que demonstram que a ação de avisar sobre novos radares não tem nenhuma relação com a filiação do atual prefeito à antiga indústria de multas que já financiou muitos gestores municipais e muitas bases parlamentares em todo o país.

Mateus Prado

Um comentário sobre ““Indústria da Multa” em Mauá precisa financiar tarifa zero

  1. Que texto ridículo misturar transporte público com multas de trânsito , Matheus prado pode ser bom em sala de aula ,mas precisa estudar CTB , ( código de trânsito brasileiro) ,e o sistema tributário ;não existe nada de graça somente em Cuba .

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