Com número ‘alarmante’ de afastamento por doenças, bancários querem rediscutir condições de trabalho

Sindicalistas apontam metas abusivas como fator de adoecimento na categoria.

Em nova rodada de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), ontem (1º), o Comando Nacional dos Bancários apresentou dados sobre saúde na categoria e fez alerta ao setor empresarial. De acordo com os representantes dos trabalhadores, os bancos concentram menos de 1% do estoque e empregos no país, mas respondem por 3% dos afastamentos por doenças.

“Apresentamos números de afastamentos alarmantes na categoria, consequência de um cotidiano exaustivo de trabalho, com o enfrentamento de metas abusivas e assédio moral”, afirmou a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, uma das coordenadoras do Comando. “Sabemos que o alto  índice de adoecimento está relacionado a uma pressão abusiva por cumprimento de metas”, acrescentou.

Ivone citou como exemplo o recente caso ocorrido na Caixa Econômica Federal, que terminou com a saída do então presidente, Pedro Guimarães, após seguidas denúncias de assédio sexual e moral. Há poucas semanas, o Santander foi condenado pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 275 milhões de indenização por cobrança de metas abusivas, em ação do Ministério Público do Trabalho (MPT).

Afastamentos crescem

“Nos últimos cinco anos, o número de afastamentos nos bancos aumentou 26,2%, enquanto no geral a variação foi de 15,4%. Os bancos se enquadram entre as empresas com maior risco de acidente de trabalho ou doença ocupacional no Brasil”, lembrou Ivone. Em 2020, mais de 20 mil bancários (20.669) foram afastados, segundo dados do INSS divulgados pelo sindicalistas. “Considerando apenas os afastamentos acidentários, os transtornos mentais e comportamentais (como stress, depressão, síndrome do pânico) corresponderam a 55% em 2021, em 2012 este volume era de 30% do total. Os afastamentos por LER/Dort passaram 40% em 2012 para 23% em 2021.”

“Os bancos começaram a reunião dizendo que as metas não geram adoecimento, que o adoecimento mental não é um problema dos bancários. Mas nós provamos que o adoecimento mental dos bancários é maior que em outras categorias”, afirmou a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, também coordenadora do Comando. “Para fechar a campanha é preciso avançar no combate ao assédio moral.”

Os bancários têm data-base em 1º de setembro. As negociações são divididas por temas. Ainda não foi apresentada proposta econômica.

Fonte Rede Brasil Atual.

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