Saber pedir.

Por: Constante Caliman Júnior:

Uma pobre senhora, com visível ar de derrota estampado no rosto, entrou num armazém, se aproximou do proprietário, conhecido pelo seu jeito grosseiro de agir, e lhe pediu fiado alguns mantimentos. 
Ela explicou que o seu marido estava muito doente e não podia trabalhar e que tinha sete filhos para alimentar. 
O dono do armazém zombou dela e pediu que se retirasse do seu estabelecimento.

Pensando na necessidade da sua família ela implorou:
– Por favor, senhor, eu lhe darei o dinheiro assim que eu tiver…

Ele lhe respondeu que ela não tinha crédito e nem conta na sua loja.

Em pé no balcão ao lado, um freguês que assistia a conversa entre os dois se aproximou do dono do armazém e lhe disse que ele deveria dar o que aquela mulher necessitava para a sua família, por sua conta.
Então o comerciante, não se dando por vencido, falou meio relutante para a pobre mulher:

– Você tem uma lista de mantimentos? 

– Sim, respondeu ela.

– Muito bem, coloque a sua lista na balança e o quanto ela pesar, eu lhe darei em mantimentos!

A pobre mulher hesitou por uns instantes e com a cabeça curvada, retirou da bolsa um pedaço de papel, escreveu alguma coisa e o depositou suavemente na balança.
Os três ficaram admirados quando o prato da balança com o papel desceu e permaneceu embaixo. 
Completamente pasmado com o marcador da balança, o comerciante virou-se lentamente para o seu freguês e comentou contrariado:

– Eu não posso acreditar! 

O freguês sorriu e o homem começou a colocar os mantimentos no outro prato da balança.

Como a escala da balança não equilibrava, ele continuou colocando mais e mais mantimentos até não caber mais nada.
O comerciante ficou parado ali por uns instantes olhando para a balança, tentando entender o que havia acontecido.
Finalmente, ele pegou o pedaço de papel da balança e ficou espantado, pois não estava escrito uma lista de compras e sim uma oração que dizia:

Meu Senhor, o Senhor conhece as minhas necessidades e eu estou deixando isto em Suas mãos! 

O homem deu as mercadorias para a pobre mulher no mais completo silêncio, que agradeceu e deixou o armazém. O freguês pagou a conta e disse:

– Valeu cada centavo!

Assim é o bravo povo brasileiro, buscando cada vez mais ajuda do alto para suprir suas necessidades, porque por aqui, só com a ajuda de Deus mesmo!

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