Governo brasileiro chega à Cúpula do Clima ainda mais isolado


Para o presidente do Proam, as forças vivas da sociedade estão atualmente totalmente dissociadas da posição do Executivo. O governo brasileiro participa, a partir de hoje, da Cúpula dos Líderes sobre o Clima, convocada pelo presidente americano Joe Biden,  dissociado de praticamente todos os segmentos da sociedade. Essa situação é inédita, na avaliação de ambientalistas, e mostra o isolamento a que chegou o Brasil, após dois anos de ações de desmantelamento do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), recorde de desmatamento (o maior em dez anos em março) e proteção de setores interessados em comércio ilegal de madeiras e mineração em terras indígenas. “As forças vivas da sociedade brasileira, seja a academia, a ciência, as ONGs e os setores produtivos mais desenvolvidos, que têm maior clareza do momento atual, estão hoje dissociadas da posição do governo”, afirma Carlos Bocuhy, presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam).  Exemplo disso foi a carta dos governadores brasileiros ao presidente Biden, buscando uma negociação direta sobre o clima. Vinte e quatro governadores brasileiros entregaram ao embaixador americano no Brasil, Todd Chapman, uma carta endereçada a Biden, em que se comprometem com a “emergência climática global” e pedem cooperação para questões ambientais no país. “Quando um país está completamente dividido entre as forças vivas da sociedade e seu governo, não há nenhuma confiabilidade possível com as atitudes do governo. A confiança é a base da diplomacia”, diz Bocuhy. “Achamos muito difícil, dentro do que está sendo apresentado como política ambiental do Brasil, que o governo possa convencer os demais países de sua boa-vontade no assunto, uma vez que tudo demonstra o contrário”, afirma Luiz Mourão, do Coletivo Fórum das ONGs Ambientalistas do DF e Entorno.  Para Yara Schaeffer-Novelli, professora sênior da Universidade de São Paulo e membro do Instituto Bioma Brasil, “estamos diante de dois Brasis: um, onde a sociedade civil se manifesta em defesa do Estado brasileiro, sua Constituição e a integridade de seus recursos naturais, e de outro lado um governo que não se reconhece no papel de Estado, mais associado aos interesses setoriais causadores do aquecimento global”.  O evento mundial, que ocorre hoje e amanhã, reunirá virtualmente 40 líderes mundiais a convite dos Estados Unidos e será o primeiro cara a cara entre Jair Bolsonaro e Joe Biden. O Brasil pedirá ajuda dos EUA, cerca US$ 1 bilhão, para medidas de combate ao desmatamento ilegal. “A aprovação para repasses ao Brasil passa pelo Congresso americano, onde existe uma posição crescente de que qualquer tipo de auxílio envolvendo o país deverá contar com uma política ambiental clara”, afirma Bocuhy.

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Sobre o Proam

O Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam) é uma organização não-governamental que estimula ações e políticas públicas com a finalidade de tornar o ambiente saudável, principalmente em grandes áreas urbanas. Fundada em abril de 2003, a ONG é presidida pelo ambientalista Carlos Bocuhy.

Desde sua fundação, o Proam tem trabalhado em defesa da boa normatização e indicadores ambientais para a elaboração de políticas públicas, realizando diagnósticos ambientais, vistorias, denúncias e cobrança de soluções e da eficácia na atuação dos órgãos competentes. Além disso, a ONG desenvolveu a campanha ambiental “Billings, Eu te quero Viva!” e o programa Metrópoles Saudáveis. Este programa, atualmente em andamento, é coordenado pelo Proam e apoiado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

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