O Brasil viveu, no último dia 23 de Agosto, uma noite totalmente estranha no cenário político nacional. Uma rede tradicional de televisão, Rede Bandeirantes de TV, junto com suas afiliadas não esperava ter um cenário tão vazio. Vazio? Por que? Bem, ocorre que o cenário político brasileiro, no âmbito das eleições para presidente da república, está muito polarizado em duas figuras, ex-presidente Jair Bolsonaro e o atual presidente Luís Inácio Lula da Silva – PT, que até sete ou dez anos atrás não existia. No período anterior ao citado existia mais equilíbrio entre forças de esquerda, direita e o centro possibilitando discussão mais saudável diante de temas crucias para a população brasileira e os rumos internacionais do país. Cabe ressaltar que a TV Bandeirantes tradicionalmente sempre foi a primeira emissora a realizar debates entre candidatos e muitos afirmam que ficaram descontentes com a desistência dos principais atores políticos do momento ou seja, o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro – PL e o presidente Luís Inácio Lula da Silva – PT, candidato à reeleição que busca seu 4º mandado. Os candidatos presentes se limitaram a criticar ausência dos maiores nomes da disputa no objetivo de angariar pontos na pesquisa e saírem dos incômodos 2% à 5% muito distante dos líderes que pontuam entre 39% à 42% de acordo com cenário e momento pesquisado. Alguns afirmam que a estratégia eleitoral de ambos se assemelha pois buscam manutenção do patamar adequado para uma disputa no 2º turno, considerando que neste período há maior equilíbrio de forças e tempo para a disputa. Há também, do lado do partido do presidente Lula – PT o entendimento de que a campanha presidencial poderá aprofundar bastante no ponto fraco do seu adversário com discussões sobre as rachadinhas, filme Dark Horse, relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundos de investimento nos EUA com atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, bem como da possível relação do candidato com mílícias no estado do Rio de Janeiro. Com tudo que se vê, realmente foi um “Debate para Ninguém”.
Lamartine Dourado
Economista e Consultor Tributário
