Acervo da USP revela novas faces do pensador negro Milton Santos

Nesta quarta completam-se 25 anos da morte do geógrafo

Vinte e cinco anos após a morte de Milton Santos, completados nesta quarta-feira (24), seu legado está sendo reescrito a partir de um labirinto de papéis guardados na Universidade de São Paulo (USP). Pesquisas recentes no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP), onde está depositado o acervo de Santos com cerca de 60 mil itens, têm trazido à tona faces pouco conhecidas do pensador. 

Depois da implementação das cotas raciais nas universidades, uma nova geração de estudantes passou a exigir uma reformulação nas pesquisas sobre a participação dos intelectuais negros na formação do pensamento brasileiro. A análise é do professor do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e pesquisador de Milton Santos, Maurício Costa.

“A conquista das cotas raciais nas universidades públicas do Brasil permitiu não só o acesso a mais pessoas negras à universidade, mas fundamentalmente um processo de reformulação do conhecimento. De olhar para o conhecimento e dizer: onde estão os autores negros aqui?”, aponta 

Esse movimento tem impactado os novos estudos sobre Milton Santos, que agora estão indo além dos temas acadêmicos tradicionalmente relacionados a ele, como a reformulação da geografia e a globalização. Os estudos passaram a investigar também a relação do pensador com a área política, o movimento negro, as periferias, e o período em que esteve nos países africanos.

Ag. Brasil N

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