Como evitar acidentes domésticos com idosos: especialista orienta famílias

Segundo Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, um em cada três idosos acima dos 65 anos sofre, ao menos, uma queda por ano.

Um em cada três idosos acima dos 65 anos sofre, ao menos, uma queda por ano, de acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). O risco é maior conforme os anos passam. A SBGG estima que metade das pessoas com mais de 75 anos caem uma vez por ano. 

Além da possibilidade de se machucar, o idoso fica com medo de cair novamente, o que pode levá-lo a sofrer outras quedas, aponta a SBGG. E como parte das quedas ocorrem no ambiente doméstico, as famílias podem contribuir para evitar esses acidentes ao adaptar a casa para essa população, explica Roberta França, geriatra do Grupo Said, empresa especializada no atendimento de idosos. 

“A gente precisa entender que quando chega a velhice é muito importante que essa casa seja adaptada para este idoso. Muitas vezes essa casa já não comporta mais tantos tapetes, tantos móveis de esquina, tantas mobílias e a gente precisa entender isso para que essa casa fique o mais segura possível”, alerta. 

Dicas 
As dicas para uma casa mais segura variam conforme o cômodo. Na sala, por exemplo, é importante: evitar tapetes; não alterar os móveis de seus lugares habituais; garantir espaço adequado entre os objetos; fixar bem os fios para que não fiquem espalhados; preferir cadeiras com apoio de braço. 

Já na cozinha, deve-se manter os alimentos e utensílios em lugares de fácil acesso, para evitar que os idosos subam em cadeiras para alcançá-los; limpar imediatamente líquidos que caiam no chão, de modo que ninguém escorregue; e conferir se as chamas do fogão estão apagadas ao deixar o local. 

No quarto, os itens que o idoso usa diariamente devem ficar em lugares acessíveis. É importante deixar um abajur ao lado da cama para facilitar a locomoção da pessoa durante a noite. Além disso, se possível, disponibilizar uma cama confortável, fácil de subir e descer, e um colchão adequado para o peso e altura do idoso. 

Os cuidados com a sala, a cozinha e o quarto são importantes, mas as famílias devem dobrar a prevenção com o banheiro, pontua Roberta. “O banheiro é, sem dúvida, o local onde a maioria dos acidentes acontece: ou diretamente no banheiro ou no trajeto quarto-banheiro, principalmente à noite”, explica. 

A geriatra diz que aqueles que têm idosos em casa devem manter todos os ambientes iluminados. À noite, ela diz, é bom ter luzes de emergência iluminando o trajeto do quarto até o banheiro. Além disso, é fundamental “emborrachar” todo o piso do banheiro para evitar as quedas. Barras de apoio do chuveiro e do sanitário e adaptadores também deixam o local mais seguro. 

“Em qualquer loja de produtos de construção, a gente encontra a tampa do vaso adaptada mais alta para que ele não precise se abaixar tanto para alcançar o vaso sanitário. Lembrar que, à noite, meia e chinelinho não combinam. O risco de queda é muito grande. É melhor ele andar descalço do que tentar colocar aqueles chinelinhos de pano que favorecem mais o escorregão”, aponta. 

Resistência
Roberta explica que o erro mais frequente cometido pelas famílias é não promover mudanças porque o idoso é apegado aos objetos e móveis da casa. Ela reforça que essa resistência pode causar acidentes. 

Tânia Regina mora em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, e trabalha há dez anos em uma empresa que cuida de idosos. Ela diz que a maior parte dos acidentes de que teve notícia ocorreram em casa e que sempre sugere às famílias mudanças, como diminuir a quantidade de móveis, deixando espaço para as pessoas de mais idade transitarem sem obstáculos. 

Ela recorda que a resistência das famílias em fazer alterações é perigosa. “Tinha uma senhora que andava com dificuldade. Ela levantou da cama – a cuidadora não estava muito atenta no momento –, tropeçou no tapetinho que ficava na beira da cama, que a gente pedia insistentemente para tirar, mas a família não queria, porque fazia parte da decoração do quarto, e teve uma fratura de fêmur. Ficou um tempo internada”, lembra. 

Fonte: Brasil 61

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