Um distrito para os Zaíras

Sou de opinião que aspectos importantes do atual planejamento urbano das cidades são motivados por princípios errados; princípios esses que se estabeleceram ao longo do tempo e ganharam tanto apoio, por força do hábito e do capital investido, que as pessoas ocupadas em gerenciar o desenvolvimento urbanístico e arquitetônico das cidades, sem dúvida as aceitam sem objeções. Nós, no entanto, não podemos compactuar disso.

Em resumo, é isto que está acontecendo na maioria das cidades de médio e grande porte. As cidades vem sendo “cortadas” por projetos que envolvem, desde grandes conjuntos habitacionais, condomínios horizontais, até vias expressas de transporte público e para veículos. Essas incisões destroem a cidade mesclada, onde as necessidades funcionais e econômicas delas e de seus usos específicos tendem a se misturar com marcos arquitetônicos intimamente rodeados pelas atividades funcionais, harmonizando-se e criando o ambiente propício ao desenvolvimento do homem, que tem em seu semelhante a necessidade quase constante da ajuda.

E sob esse olhar que descortinamos a região formada pelos “Jardim Zaira” como uma região a ser mais bem “pensada” e não simplesmente “negociada” como ocorre atualmente. Os Zairas trazem em sua formação a mescla que uma cidade precisa; tudo e todos você encontra nos Zairas; seu porte é de uma cidade média, contudo seus cidadãos estão deixando a vida levá-los, pois não surgem pensadores engajados em temas reais que levarão essa região a um novo patamar de desenvolvimento humano.

Cheguemos com nossas convicções e busquemos os insatisfeitos e desbravaremos um novo marco a essa região, criando o que tomei a liberdade de chamar de “Distrito dos Zairas”. Sim, um distrito delimitado geograficamente dentro da cidade de Mauá, que terá sua vocação trazida à tona e com ela uma nova visão sobre o planejamento local de forma a implantarmos a repaginação de toda sua ocupação física e principalmente fortalecer, ainda mais, seus usos e costumes.

Sem o início desse debate com pensadores do amanhã, o que será dessa região daqui a 20 anos?

Edson Agnello, 66 anos, Urbanista, Arquiteto, Pós Graduado em Administração pela FGV e Editor Jornalístico.

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