O colorido do mês de maio

No Brasil, já virou tendência colorir o meses, atribuindo ou inserindo cores para identifica-los, sempre cores ligadas a um evento marcante. Entretanto nesse mês, se essa for à regra, temos que batiza-lo com a cor negra, embora haja outras datas importantes como o dia internacional da enfermagem, mês das noivas e o significativo dia das mães. Agora voltando a falar do Maio Negro, não podemos nos esquecer do dia 13, dia em que historicamente foi proclamada a abolição dos escravos em 1888 e que erroneamente, aprendemos no passado, que foi uma ação de beneplácito da coroa portuguesa pelas mãos da princesa Isabel.

Na realidade, foram narrativas muito superficiais das verdades, pois de agrado nada existiu, pois a crueldade decorreu por mais de 300 anos e, somente por fruto de muitas lutas, reuniões secretas, rebeliões, sangue derramado e imposição internacional que chegamos a essa conquista. Entre muitas, existia a alegação principalmente dos senhores de escravos, teriam muitos “prejuízos”, coisa que por séculos já haviam explorado. Hoje, passados 134 anos e chegando em 2022, ainda restam traços de desigualdades e preconceito que tentam minimizar os negros do Brasil, acreditando-se não sermos um país miscigenado entre negros, brancos e indígenas. Porém ainda há uma luta muito grande para dissipar o preconceito direto ou indireto, que certamente demonstram que estamos no século 21, mas com ações do século 19 e por isso precisamos assumir que ainda vivemos em uma nação desigual e preconceituosa, que precisa de vez erguer as bandeiras de todas as lutas contra esse mal camuflado em nossa sociedade. Argumentos como negrinho, coisa de preto, macaco ou similares, como comparar uma pessoa obesa a medidas de arrobas, como no dia 12 presente, fez o presidente Jair Bolsonaro, referindo-se ao presidente da Câmara da cidade de Holambra-SP o senhor Mauro Sérgio de Oliveira, medida para pesar animais como porcos. Frase no mínimo infeliz.

Esses 134 anos, daquilo que era amparado por Lei como a comercialização dos serviços de escravidão, não foram suficientes para dissipar os ares preconceituosos. Como a senhora Madalena Santiago, uma mulher negra de 84 anos, que depois de 72 anos trabalhando como empregada doméstica em condições análogas à escravidão, foi resgatada pelos auditores-fiscais do trabalho do Ministério do Trabalho e Previdência (MTP). Ela foi submetida ao trabalho forçado por três gerações da mesma família, no Rio de Janeiro, sem receber salário, demonstrando assim a mentalidade de algumas pessoas mais de 100 anos após a Abolição.

Por fatos assim, eu, juntamente com amigos, estamos formatando desde o início desse ano, um Grupo de Conscientização dessas lutas, que envolvem todas as classes tidas como minoritárias que englobam pessoas com necessidades especiais, mulheres, LGBTQIA+, negros, e demais grupos. Vamos iniciar juntos na cidade de Mauá a lutar por essas causas, para, desde já e no próximo mês de novembro, por ocasião do Dia da Consciência Negra, promulgar um evento de conscientização para essas finalidades.

A escravidão no Brasil durou 300 anos, e assim, somamos até hoje quase meio século de “estórias” e por isso, nossas verdades precisam ser divulgadas e mudar aquilo que aprendemos de errado nas escolas, sobre a escravidão no Brasil e trazer à tona as memórias de nomes de alguns dos principais abolicionistas negros que foram apagados, tais como Luísa Mahin, Luís Gama, André Rebouças, José do Nascimento, Dandara dos Palmares e construir juntos uma sociedade mais igualitária com todos os deveres e direitos de quem contribuiu e muito para essa nação.

Lois Gonçalves

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