A valorização da polícia e o fim da violência

A violência e o abuso policial sempre existiram no Brasil. Desde o império, ter uma farda parece conotação para abusar, da autoridade que é limitada, por parte de certos indivíduos.
O que está ainda muito vivo na memória de alguns brasileiros como eu, com quase 60 anos de idade, foi ainda o período em que tivemos a repressão política no país, durante os anos da ditadura. Ainda no meio dos anos 70 quando, comecei a trabalhar em uma metalúrgica quando tinha 14 anos de idade, cumprindo uma jornada de 9 horas diárias de trabalho. O uso de carteira de trabalho como referencia de que era trabalhador, não era incomum para todos os brasileiros.
Caso alguém fosse parado, mesmo em pleno dia e não tivesse munido desse documento, poderia ser alvo de abuso de autoridade por parte de maus policiais, como foi no caso de meu irmão, que mesmo com gesso na perna até os joelhos, foi parado, indagado sobre o que fazia no local (estava a uma quadra de distância de casa), um dos policiais pisou no gesso, que teve que ser trocado posteriormente, pois chegou a trincar e isso em plena tarde de um dia de semana. Comigo não foi diferente, pois fui abordado por mais de uma vez. Em uma das ocasiões, eram cerca de 20:30 horas e mesmo assim, tendo tudo o que me pediram, ainda fui ameaçado de que, iriam dar uma volta e se me encontrassem de novo, me levariam preso porque não era hora de um “crioulo” estar na rua aquela hora (eu voltava da casa de amigos e tinha apenas 17 anos de idade), tudo isso sem antes jogar a carteira de trabalho no chão para que eu pegasse e levar um empurrão de provocação esperando uma reação.
Atuações como essas voltam a mente, em um momento em que o mundo clama por mais humanização por parte de ações policiais, pois recentemente aconteceram mortes por abusos, sem contar o desaparecimento de menores baleados, que depois são encontrados feridos ou mortos em locais desertos ou em um hospital qualquer.
Existe o esforço por parte das autoridades e também por parte do escalão mais alto das policias, porem embora não seja um álibe, pois não compactuo com o erro e com os desvios de conduta de quem esperamos proteção.
Admito que os baixos salários e a falta de controle de alguns policiais, contribue e mancham toda a representatividade da policial e coloca em “cheque” a confiança que deveríamos ter ao ser abordado por alguma autoridade fardada.
Após sequentes casos de violência policial em SP, o governador João Doria disse que PMs serão “retreinados”. Isso não é uma iniciativa inovadora, pois já ouvimos coisas semelhantes outras vezes. O fato primordial, não é a polícia enquanto corporação, mas alguns indivíduos, que juntando aos problemas já citados, adicionando o pequeno número de efetivos, muitas vezes a carga de dupla jornada para reforçar o orçamento, o convívio quase que diário com a violência, e a má índole, muitas vezes o resultado que sobra é a eliminação de mais uma vida, que contabiliza para a violência policial contra inocentes. Dessa forma, a valorização, uma melhor seleção e a humanização, vamos minimizar o preconceito nas regiões periféricas das cidades, pois dificilmente ouvimos dizer que algum jovem ou menor, sofreram abusos policiais nas regiões mais nobres das cidades brasileiras e como bons cidadãos, apoiadores da boa polícia, exigimos o fim desse tipo de violência.

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