“E Agora José?”

O JTR entrevista Flávio Urra, psicólogo e coordenador do Programa “E Agora José?”, programa este que tem sido referência na elaboração de políticas públicas de violência contra mulheres.

JTR: Quem é Flavio Urra e qual sua trajetória?

FU: Psicólogo e Sociólogo, Mestrado em Psicologia Social, Flávio Urra atua no campo das Masculinidades desde 2001. Implantou, na cidade de Santo André, o primeiro grupo de homens autores de violência contra mulheres do Estado de São Paulo, em 2003, ainda com base na Lei 9.099/95. Em agosto de 2006 é promulgada a Lei Federal 11.340/2006, denominada Lei Maria da Penha, com avanços na legislação.

JTR: Como e quando iniciaram as ações que resultaram na criação do Programa “E Agora José?”

FU: Em 2014 Implantou o Programa E Agora José, em parceria com a Secretaria de Políticas públicas para mulheres da prefeitura de Santo André. Em 2017, a gestão do Programa deixa de ser executada pela Prefeitura e passa a ser realizada pela Organização da Sociedade Civil Entre Nós – Assessoria, Educação e Pesquisa. São reuniões semanais de duas horas e, os homens precisam participar de 20 encontros.

JTR: Pode-se dimensionar a evolução do programa?

FU: O Programa atuou exclusivamente em Santo André nos primeiros anos, mas após a pandemia de covid, com a instalação dos grupos virtuais passou a atender homens de outras localidades.

Após a pandemia os grupos presenciais foram retomados.

JTR: Qual nível de apoio público que puderam e podem apoiar positivamente?

FU: O Programa é mantido por meio de parcerias com o Judiciário ou com as Prefeituras. Os espaços para realização dos grupos são cedidos pela municipalidade. É necessária uma sala adequada e com recursos de multimídia. Bem como recursos financeiros para pagamento dos facilitadores.

JTR: Em quantos municípios já foi implantado o programa?

FU: Atualmente o Programa é realizado presencialmente nas cidades de Arujá, Itaquaquecetuba, Barra Bonita, Taubaté, Santo André, Santa Branca e Pindamonhangaba. Além de 8 grupos on-line. Num total de 200 homens por semana.

JTR: É possível dimensionar a percepção das mulheres sobre resultados do programa?

FU: Geralmente quem nos procura para saber sobre o programa são os organismos de políticas para mulheres. Afinal, elas são às principais atingidas pela violência que a sociedade machista exerce e as primeiras a reconhecer a importância do trabalho com homens para a redução da violência contra elas.

JTR: Existe algum gargalo que o poder público pode desfazer?

FU: É urgente a regularização e regulamentação dos grupos reflexivos de homens, bem como, uma tipificação e criação de parâmetros de funcionamento. A forma preconizada dentro da Lei Maria da Penha é a de um Serviço Municipal, um Centro de Referência em Masculinidades. Serviço inexistente no país.

JTR: Qual avaliação geral sobre o programa?

FU: Os homens que participam do Programa E Agora José chegam resistentes e inconformados, com o passar dos encontros começam a perceber que os grupos lhes fazem bem. E ao final são unânimes em reconhecer que saíram pessoas melhores do que entraram.

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