CineCaps retoma atividades e transforma cinema em ferramenta de cuidado em saúde mental em Mauá


Oficina terapêutica do CAPS Adulto volta a ser realizada quinzenalmente e estreia nova fase dia 5 de março com o filme ‘Lisbela e o Prisioneiro’

A Prefeitura de Mauá retoma nesta quinta-feira (5) as atividades do CineCaps, oficina terapêutica do CAPS Adulto Primavera que utiliza o cinema como estratégia de cuidado em saúde mental. A iniciativa passa a ocorrer quinzenalmente, fortalecendo o conjunto de atividades oferecidas pela unidade e ampliando as possibilidades de escuta, expressão e construção coletiva de sentidos entre os usuários.

Mais do que sessões de cinema, o CineCaps se consolida como espaço de cuidado e convivência. A proposta alia a exibição de filmes a rodas de conversa mediadas, promovendo escuta qualificada, protagonismo, fortalecimento de vínculos e ampliação do repertório cultural dos participantes.

“Essa retomada reafirma nosso compromisso com práticas de cuidado que valorizam a subjetividade, a cultura e a participação ativa dos usuários. O cinema é uma linguagem potente, que desperta emoções, memórias e reflexões, contribuindo diretamente para o processo terapêutico”, destaca Silvia Marangoni, coordenadora da Atenção Especializada de Mauá.

Nesta nova etapa, a primeira exibição será do filme ‘Lisbela e o Prisioneiro’, comédia romântica brasileira dirigida por Guel Arraes e ambientada no interior de Pernambuco. A história acompanha Lisbela, jovem sonhadora apaixonada por cinema, que está prestes a se casar, mas tem sua vida transformada ao conhecer Leléu, um malandro carismático e conquistador.

Entre perseguições, vilões atrapalhados e muito humor nordestino, a obra mistura romance, aventura e elementos da cultura popular para tratar, com leveza e sensibilidade, temas como amor e liberdade.

Segundo Thiago da Silva Almeida, monitor da Oficina Terapêutica, a escolha dos filmes é feita de maneira cuidadosa e dialoga com o projeto terapêutico singular de cada usuário. “A cada edição, pensamos em obras que ampliem repertórios e tragam diferentes linguagens, contextos e realidades. O objetivo é estimular a identificação com os personagens, fomentar o senso crítico e criar um espaço seguro para que cada um compartilhe suas vivências”, explica.

Após cada sessão, os participantes integram rodas de conversa mediadas pela equipe, momento em que podem expressar percepções, sentimentos e reflexões despertadas pelo filme. “Não é apenas assistir a uma história na tela. É se reconhecer nas narrativas, ressignificar experiências e fortalecer a autonomia. O CineCaps é um espaço onde a arte se transforma em ferramenta de inclusão social”, acrescenta Thiago.

A programação é construída de forma participativa. Ao final de cada encontro, o grupo escolhe o próximo filme a ser exibido. Os cartazes são então afixados em espaços estratégicos da unidade, garantindo que todos os usuários tenham acesso às informações e possam se organizar para participar.

Para Silvia Marangoni, a retomada do projeto representa um passo importante na consolidação de práticas integrativas no cuidado em saúde mental no município. “Investir em atividades como o CineCaps é investir em vínculo, pertencimento e cidadania. O cuidado em saúde mental também passa pela cultura, pela troca e pelo reconhecimento do outro como protagonista da própria história.”

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