Mauá forma 13 novos especialistas pelo SUS que concluíram residência médica no Hospital Nardini


Programa da Secretaria de Saúde já colocou no mercado 127 profissionais com visão de saúde pública para atuar nas especialidades de clínica médica, cirurgia geral, pediatria e psiquiatria

A Secretaria de Saúde de Mauá celebrou, na noite de sexta-feira (20), a formatura de 13 novos especialistas do Programa Municipal de Residência Médica do Sistema Único de Saúde (SUS). A cerimônia foi realizada no campus Vila Bocaina da Universidade Nove de Julho (Uninove) e reforça a consolidação de política pública voltada à qualificação da Rede de Atenção à Saúde do município. Os médicos concluíram a residência nas áreas de clínica médica, cirurgia geral, psiquiatria e pediatria no Hospital de Clínicas Dr. Radamés Nardini.

Criado com autorização do Ministério da Educação (MEC) e credenciado pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), o programa integra a estratégia de fortalecimento do SUS. Instituída pela lei 6.932/1981, a residência médica é considerada o padrão-ouro na formação de especialistas no Brasil, caracterizada pelo treinamento em serviço, com dedicação integral e supervisão de profissionais experientes.

Desde sua implantação em Mauá, autorizada por portaria do MEC em 2013, o programa já formou 127 especialistas, sendo 45 em cirurgia geral, 23 em clínica médica, 22 em pediatria e 37 em psiquiatria. Ao longo de mais de uma década, a cidade recebeu residentes de todas as regiões do país, contribuindo para a descentralização da formação médica com foco em saúde pública – profissionais preparados para atuar tanto no tratamento individual quanto na promoção da saúde e prevenção de doenças.

A turma de 2026 reúne médicos oriundos de estados como Maranhão, Alagoas, Pará, Minas Gerais, Tocantins e São Paulo. Há inclusive profissional nascida na África, o que demonstra a diversidade do programa. “Isso reforça a pluralidade e a riqueza da nossa residência”, avaliou Elisabete Jose, coordenadora de Gestão de Pessoas e Educação em Saúde do município.

Para o prefeito Marcelo Oliveira, a formatura simboliza o compromisso da gestão com o fortalecimento do SUS. “Investir na residência médica é contribuir diretamente para a qualidade do atendimento à nossa população. Cada especialista que se forma aqui conhece a realidade da nossa rede e contribui para uma saúde pública mais resolutiva, humana e eficiente”, afirmou. “Mauá tem orgulho de ser referência regional na formação de profissionais que ajudam a transformar o SUS”, acrescentou.

Secretária adjunta municipal de Saúde, Kátia Navarro Watanabe ressaltou o impacto do programa na assistência. “A residência médica é uma estratégia estruturante para a Rede de Atenção à Saúde. Ao formar especialistas dentro dos nossos próprios serviços, garantimos profissionais alinhados às diretrizes do SUS e preparados para atuar na Atenção Básica, Especializada e Hospitalar, em consonância com a Política Nacional de Residência em Saúde”, destacou.

O diretor do Hospital Nardini, Paulo Rogério Affonso Antônio, enfatizou o papel formador da instituição. “A residência é o momento em que o conhecimento da graduação ganha prática, direção e propósito. É aqui que se consolida a construção de uma carreira médica voltada à especialidade e se fortalece, de verdade, a relação médico-paciente”, afirmou. Segundo ele, a vivência no SUS diferencia o profissional ao ampliar a compreensão do cuidado de forma integrada e humanizada. “Celebramos não apenas a conquista individual de cada residente, mas também o compromisso do município em manter e fortalecer um programa que forma profissionais preparados para fazer a diferença”, completou.

Entre as histórias que marcaram a turma formada no fim de semana está a da pediatra africana Ermelinda Feliciana de Barros Rodrigues. Natural de Cabo Verde, ela chegou ao Brasil em 2015 para cursar medicina na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e se formou em 2021. Influenciada por conversas com ex-residentes e pela diversidade de casos clínicos, escolheu Mauá para se especializar, após se mudar para São Paulo.

Durante três anos, viveu experiências que classifica como transformadoras, especialmente no cuidado a pacientes prematuros, que reforçaram sua visão sobre resiliência e humanização. “O Hospital Nardini é uma escola da vida”, resume. Além do aprendizado técnico, ela destacou o acolhimento recebido e as trocas culturais.

Única residente preta da turma, Ermelinda citou o orgulho da representatividade, apesar de relatar episódios de racismo institucional no país, e afirmou querer inspirar outras crianças e pacientes.

Com planos de se especializar em neuropediatria, ela pretende continuar atuando no município, que considera parte fundamental de sua trajetória. “Mauá me acolheu e faz parte da minha trajetória. Quero seguir contribuindo com a cidade”, afirmou, ao lado de familiares que vieram de Portugal para prestigiar a formatura dela.

A Secretaria Municipal de Saúde se prepara para receber os novos residentes aprovados no processo seletivo estadual SUS-SP 2026, organizado pela Fundação Vunesp. Neste ciclo, o Estado de São Paulo ofertou 1.431 vagas de residência médica em instituições credenciadas pela CNRM e pelo MEC.

Em Mauá, foram disponibilizadas 14 vagas para ingresso como residentes de primeiro ano (R1): quatro em cirurgia geral (três anos de duração), três em clínica médica (dois anos), quatro em psiquiatria (três anos) e três em pediatria (três anos). A recepção aos novos médicos está marcada para 5 de março, no Hospital Nardini.

O acesso ao programa é destinado a médicos formados em instituições reconhecidas pelo MEC ou diplomados no exterior com aprovação no Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida), conforme critérios estabelecidos em edital público.

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