Obra de transposição do Rio Pequeno para o Taiaçupeba gera reação popular em Rio Grande da Serra

A obra de transposição do Rio Pequeno para o Sistema Taiaçupeba, projeto do Governo do Estado sob gestão de Tarcísio de Freitas e executado pela Sabesp, tem provocado forte mobilização popular em Rio Grande da Serra. O empreendimento é apresentado pelo Estado como medida para reforço da segurança hídrica, mas moradores, ambientalistas e integrantes do Conselho Municipal de Meio Ambiente (COMDEMA) apontam impactos urbanos e ambientais significativos.

De acordo com informações do projeto, a intervenção deve atingir aproximadamente 16 quilômetros dentro do município, passando por vias como Estrada do Rio Pequeno, Jean Liethaud, Rebizzi, Prefeito Cido Franco, Avenida José Belo, Estrada do Caracu, Via Tangará e o bairro Sete Pontes.

Moradores demonstram preocupação com possíveis transtornos estruturais. Estão previstos canteiros de obras de até 15 metros de largura e valas com profundidade entre 3 e 4 metros em alguns trechos. A população teme bloqueios viários, impactos no comércio local, dificuldades de circulação para serviços essenciais e possíveis danos a imóveis devido às escavações.

No campo ambiental, o Parecer Técnico nº 01/2025 do COMDEMA recomendou o indeferimento do projeto, defendendo a necessidade de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA-RIMA), considerado mais abrangente que o Relatório Ambiental Preliminar (RAP) inicialmente apresentado. O conselho também apontou preocupação com possíveis reflexos sobre áreas de Mata Atlântica e nascentes locais.

Outro ponto levantado por críticos é a retirada significativa de água do sistema Rio Grande/Rio Pequeno. Para o movimento contrário à obra, a medida pode gerar desequilíbrio ambiental e não estaria acompanhada de investimentos proporcionais em recuperação de mananciais e saneamento.

Diante do cenário, moradores organizaram um abaixo-assinado com milhares de assinaturas e vêm realizando reuniões em bairros como Caracu e Vila Conde, além de mobilizações em feiras livres. Está previsto para sábado (14) um ato denominado “Abraço ao Trevo”, na entrada da cidade, além de um bloco cultural de conscientização.

Procurados, representantes do Governo do Estado e da Sabesp defendem que a obra é estratégica para garantir abastecimento futuro e reforçam que os licenciamentos seguem os trâmites legais.

O debate deve se intensificar nas próximas semanas, ampliando a discussão sobre segurança hídrica, desenvolvimento regional e preservação ambiental no Grande ABC.

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