A participação do indígena Elvis Guarani, ativista, cacique e pessoa com deficiência (PCD), no Vestibular Indígena da Unicamp, reacende o debate sobre a presença indígena no contexto urbano e a ausência de políticas públicas específicas em Mauá.
Morador da cidade, Elvis Guarani se identifica como indígena PCD e faz parte do Coletivo Indígena do ABC Nhande Vae’ete. Segundo dados do IBGE, Mauá possui 419 indígenas, porém, de acordo com o ativista, essa população segue invisibilizada pelo poder público municipal.
“Mauá é terra indígena, mas não existem políticas públicas voltadas para nós”, afirma.
Elvis denuncia que, mesmo com legislação que prevê ações afirmativas, não há cotas indígenas nos concursos públicos do município. No último concurso realizado em dezembro, segundo ele, a política de cotas para indígenas não apareceu no edital.
“Estamos sendo excluídos sempre. Não aparecemos nos editais, não aparecemos nas políticas públicas”, relata.
Além da luta pelos direitos indígenas, Elvis também atua na defesa dos direitos dos indígenas com deficiência, grupo que enfrenta dupla exclusão social.
Autista e com deficiência física na perna direita, em decorrência de um acidente, Elvis é cacique e uma das lideranças indígenas do contexto urbano da região do ABC Paulista. Ele define a realidade vivida pelos indígenas nas cidades como uma “aldeia de concreto”.
“Tiraram nossas terras, tiraram o direito de pescar e caçar. Hoje lutamos pelo direito de estudar e trabalhar como indígenas do contexto urbano”, explica.
Elvis prestará o Vestibular Indígena da Unicamp para o curso de Artes Visuais. Para ele, a educação é a principal ferramenta de transformação social e de enfrentamento às desigualdades históricas.
“Somente a educação pode mudar e transformar a vida das pessoas. O governo está cortando recursos da educação, mas é ela que muda vidas”, destaca.
Ao compartilhar sua história, Elvis Guarani espera dar visibilidade à existência dos povos indígenas em Mauá e fortalecer a luta por cotas no vestibular, no mercado de trabalho e nos concursos públicos.
“É importante contar essa história no jornal para mostrar que existem indígenas em Mauá e que seguimos lutando contra o apagamento histórico”, conclui.
