Minha Jornada na História do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Região
Minha trajetória profissional entre 1993 e 2012 foi mais do que uma carreira; foi uma missão. Tive o privilégio de atuar como fotógrafo no Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Região, uma época que marcou profundamente minha vida e me colocou no coração da luta da classe operária no Grande ABC. Minhas lentes não apenas registraram eventos, mas contaram a história de um movimento resiliente e essencial para a democracia brasileira.
Nesses anos, estive lado a lado com grandes líderes sindicais, figuras que moldaram o destino da categoria. Tenho um imenso orgulho de ter trabalhado e aprendido com nomes como Cícero Firmino (Martinha), José Cicote, Valdeci Fernandes (Veinho), José Tomaz (Tomaz) e Benedito Marcílio,
Não posso deixar de citar a influência e o legado de Nelson Basílio, um verdadeiro mestre do sindicalismo, professor com uma vasta história e militância que inspirava a todos, e Philadelpho Brás, cujo conhecimento e zelo pelo registro histórico foram fundamentais para a memória da categoria. Resgatar e preservar essa memória foi um dos pilares da minha missão ao longo desse período, e o fato de meu trabalho ter contribuído para o livro do Sindicato é, sem dúvida, motivo de grande orgulho.
Gerações e a Transformação da Metalurgia
Fazer parte da história de um sindicato com 92 anos de existência, que superou inúmeras interferências políticas e governamentais, é testemunhar a força da organização. O Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André hoje se define pela conexão de gerações. É um espaço onde avós, pais, filhos e netos se cruzam, comparando o passado e o futuro da metalurgia, do “aço bruto ao chip”.
Vi de perto as mudanças de operação e a chegada da tecnologia – da automação à iminente Inteligência Artificial (IA) no chão de fábrica. Contudo, a essência da comunicação e da organização sindical se mantém.
A tradicional entrega do boletim do sindicato, de madrugada, “mão a mão”, ainda persiste como um símbolo de resistência e proximidade. Mas hoje, essa tradição é complementada pela internet e pelos grupos de WhatsApp, que levam a informação em tempo real e organizam o movimento com rapidez.
A Essência da Participação
A tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas, como bem sabemos, ela não substitui o fundamental: o voto, a presença e a participação do trabalhador. É no Sindicato, em seu espaço de debate e convivência, que a democracia e a liberdade se colocam em prática, organizando o chão de fábrica e fortalecendo a categoria.
Se há quem pense que o sindicalismo não está tão presente na vida do trabalhador, a realidade é o oposto: sua presença é constante. A participação de cada metalúrgico é fundamental para garantir os direitos conquistados com tanta luta pelas gerações que nos antecederam. A história não para; ela se constrói no dia a dia.
Meu registro, através deste texto e, principalmente, em meus arquivos fotográficos, é um parabéns a todos os metalúrgicos por fazerem e participarem ativamente dessa história de lutas e conquistas. Foi uma honra documentar essa jornada inesquecível.
Robson Fonseca
Repórter Fotográfico
@robsonfonsecafotografo
