Pedro Barlera Gaspar
O temor de perdas econômicas, decorrente da recente e turbulenta relação com o governo dos Estados Unidos, levou o Brasil a acelerar a busca por alternativas comerciais, aproximando-se de parceiros regionais e ultramarinos. Enquanto os mercados sul-americanos e europeus se mostram promissores, a relação com a Ásia avança de forma notória.
O acordo de cooperação em políticas de emprego com a Coreia do Sul e o de exportação de derivados de gordura animal com o Japão, firmados recentemente, são exemplos do êxito diplomático e comercial, enquanto a relação com a China ganha ainda mais destaque. Dados de agosto, divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, mostram uma impressionante alta de 30% nas exportações para o mercado chinês, colocando o país como o mais importante parceiro comercial diante a disputa tarifária.
Os investimentos asiáticos mais recentes em território paulista têm se concentrado sobretudo nas indústrias do interior, especialmente nas regiões de Campinas e Sorocaba, o que levanta a questão: por que o ABC já não se mostra tão atrativo a esse capital estrangeiro? A resposta talvez esteja no baixo esforço em evidenciar o potencial da região. Recentemente, tive a oportunidade de participar da celebração dos 70 anos da imigração taiwanesa, que contou com a presença de autoridades do país. Ao serem apresentados a dados comerciais com Mauá, até então desconhecidos por eles, a ministra das Relações Exteriores de Taiwan e outros representantes diplomáticos demonstraram entusiasmo e se mostraram abertos a fortalecer o comércio com a cidade do ABC.
China, Japão, Taiwan, Coreia do Sul, Arábia Saudita e tantos outros países já possuem importante participação socioeconômica na região do ABC. O estreitamento desses laços representa uma forma de construir pontes para o desenvolvimento econômico do comércio e da indústria, além de fomentar parcerias em emprego, educação, inovação tecnológica e na troca de boas práticas de gestão pública.
