Por Marcos Brasil
Quando uma novela é anunciada como continuação inédita, a expectativa é por surpresas, novos conflitos e personagens que tragam frescor à trama. Em Eta Mundo Melhor, no entanto, o que vemos é algo mais próximo de um remake disfarçado: a história parece ter sido virada de cabeça para baixo, mas continua essencialmente a mesma. Personagens, cenários e até diálogos remetem diretamente à versão anterior, deixando o público com a sensação de déjà vu.
O protagonista Candinho (Sergio Guizé), antes um jovem do interior em busca da mãe rica que o abandonou, agora retorna com uma versão mais madura e milionária. Seu objetivo? Encontrar o filho desaparecido. A mudança de contexto poderia oferecer novas possibilidades dramáticas, mas a narrativa insiste em reciclar o mesmo percurso emocional e moral, como se a evolução do personagem fosse apenas superficial.
O elenco também traz ecos do passado. Asdrúbal (Luis Miranda) cumpre a mesma função de comicidade e alívio cômico que Pancrácio (Marco Nanini) desempenhava na versão anterior. A fórmula, embora eficaz em termos de humor, denuncia uma falta de inovação na construção dos personagens secundários. Da mesma forma, Estela (Larissa Manoela) assume o papel central emocional que Maria (Bianca Bin) tinha anteriormente, servindo como epicentro dramático da história, mas sem acrescentar camadas verdadeiramente novas à narrativa.
O cenário permanece previsível: o sítio no interior, a mansão na capital, a pensão barulhenta. Também não faltam os arquétipos que já conhecemos — a vilã ambiciosa, o vilão sedutor, ambos sempre em busca de herança ou poder. Tudo isso cria uma sensação de déjà vu que compromete o frescor esperado de uma continuação.
Não se trata de negar a qualidade de interpretação ou a produção caprichada — mas, ao vender a novela como sequência inédita, a obra entrega uma experiência familiar demais, quase como se estivéssemos assistindo novamente à mesma história com pequenas variações. O público mais atento percebe rapidamente que Eta Mundo Melhor se apoia fortemente na nostalgia e pouco investe na inovação narrativa.
No fim das contas, o que se esperava como um capítulo novo da história se revela mais como uma revisita confortável e previsível a antigos dramas e comédias. E, embora a novela possa divertir, a sensação de repetição evidencia que, às vezes, continuar não significa necessariamente evoluir.
