Por Marcos Brasil
A morte de um Papa é, sem exagero, um dos acontecimentos mais significativos do noticiário mundial. Trata-se da despedida de uma das maiores lideranças espirituais do planeta, com impacto não apenas religioso, mas político, histórico e cultural. No entanto, para a TV Record, ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, esse fato parece ter merecido… apenas 15 minutos e 10 segundos de cobertura.
Enquanto a TV Globo dedicou 7h54min, a Band 4h32min, o SBT 4h35min e até a RedeTV! destinou 1h54min à morte de Francisco, a Record — sempre tão aguerrida em suas pautas religiosas quando lhe convém — decidiu poupar sua audiência de uma notícia de tamanha relevância.
A escolha editorial da emissora revela mais do que um simples critério jornalístico. Ela escancara o desconforto em dar visibilidade a uma figura símbolo da Igreja Católica, especialmente alguém como o Papa Francisco, conhecido por sua postura progressista, pela defesa dos pobres, dos imigrantes e pela crítica feroz à mercantilização da fé.
É difícil não ver nessa economia de minutos uma escolha ideológica, travestida de neutralidade jornalística. A mesma emissora que frequentemente transforma pautas religiosas em espetáculos de fé, preferiu tratar o falecimento de um Papa com o silêncio conveniente de quem não quer dividir audiência — e influência — com nenhum altar que não seja o seu.
A Record, ao invés de informar, optou por minimizar. E fez isso em nome de uma disputa simbólica que extrapola o jornalismo e adentra o território da rivalidade religiosa. O Papa é pop, sim. Mas para a Record, não foi pop o bastante para ser notícia.
