Em 31 de Março de 1964 o Brasil iniciava período gravíssimo de sua história no momento em que militares assumem o poder do país até então “com liberdade de expressão” mesmo que limitado à divisão de classes sociais. A sociedade, muitas vezes, acredita ser livre e tenta se expressar seja através da cultura, seja através de mobilização social. Pois bem, a história registra casos em que grandes líderes políticos, e até empresariais, tiveram suas vidas avassaladas por um novo regime ditatorial de estado, regime esse que limitou todos poderes de organismos políticos e sociais. O Golpe de 64, acompanhado por ações truculentas de policiais colocava em dúvida a real condição humana de pessoas que lutavam por igualdade sociais e econômicas. O Silêncio da Ditadura!! Faz-se necessário continuar lembrando as barbaridades sofridas por famílias ao perderem seus parentes pelo simples fato de discordarem de um regime de opressão. Líderes da igreja católica, já falecidos, como Dom Hélder Câmara, arcebispo de Recife e Olinda, e Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo de São Paulo lutaram como podiam contra o golpe militar. Lideranças de movimentos sociais e político, ainda vivas, continuam suas lutas por igualdade e liberdade de expressão como José Dirceu, Luiza Erundina, Eduardo Suplicy, Dilma Roussef, Adriano Diogo, entre outros contra a polícia truculenta. Em atividade no último dia 31 de Março, quando completou 60 anos do golpe militar, o ex deputado Adriano Diogo afirmou: “Fiquei 90 dias aqui. É uma casa de morte” referindo-se ao DOI-CODI em São Paulo, e também “é necessário mostrar a história para novas gerações e investir mais na construção da democracia brasileira”. Com mais esse ato relembrando as mazelas da ditadura, grandes lideranças históricas do PT mantém a convicção de que “lembranças do sofrimento da ditadura” são, e devem continuar fazendo, parte da nossa história. O Silêncio da Ditadura não pode ser cravado com uma simples Medida Provisória assinada por quem, inclusive, ficou preso, ceifado de sua família por um longo período de 30 ou mais dias. Companheiros até respeitam, se calam, mas estão tristes por tal postura por conta de um subjetivo acordo com forças militares atuais.
Lamartine Dourado
Economista e Consultor Tributário
